Para 56% de entrevistados, morte de negro choca menos a sociedade que a de branco


Para ministra da Igualdade Racial, pesquisa do DataSenado revela que o Brasil finalmente está se reconhecendo como país racista, o que facilita o combate do preconceito

A maior parte dos brasileiros (55,8%) concorda com a seguinte afirmação: “A morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte violenta de um jovem branco”. A constatação é de uma pesquisa realizada pelo DataSenado com 1.234 pessoas de 123 municípios entre os dias 1º e 11 de outubro.

O levantamento também mostrou que, para 55,1% dos entrevistados, é correto afirmar que “a principal causa de homicídios de jovens negros é o racismo”.

Os resultados do levantamento Violência contra a Juventude Negra no Brasil foram divulgados ontem, na solenidade em que o Senado aderiu à campanha Igualdade Racial é pra Valer, da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial.

Ao lado de José Sarney, a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, fala na cerimônia de adesão do Senado à campanha do governo federal contra o racismo

Para a ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, os dados mostram que a vida de um branco e a de um negro têm valores diferentes no Brasil:

— Isso ocorre por causa dos estereótipos e das imagens negativas que o racismo cola no negro. O racismo é uma tentativa de desumanização dos grupos considerados inferiores.

A ministra consegue enxergar um ponto positivo na fotografia mostrada pela pesquisa. Segundo ela, “os brasileiros estão perdendo o medo de revelar conflitos derivados do racismo que existem na sociedade”:

— Isso é muito bom. Significa que o problema está sendo admitido. Ganhamos mais condições para combatê-lo.

Fonte: DataSenado

Pobres e ricos

Para a maioria dos entrevistados (62,3%), jovens brancos e negros são mortos por violência na mesma quantidade. Para uma parcela relativamente pequena (31,4%), os jovens negros são mortos em maior quantidade. Apenas 26,3% acreditam que a cor dos jovens tem influência na quantidade de mortes.

Dados do Ministério da Saúde, entretanto, revelam que a realidade é diferente daquela imaginada pelos brasileiros: dos homicídios de jovens no país, 75% vitimam negros. As mortes de jovens negros passaram de 14 mil em 2000 para mais de 19 mil em 2010.

A noção de que no Brasil a violência mata mais pobres do que ricos, porém, é compartilhada por 90,4% dos entrevistados.

Fonte: Senado Federal

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