CAAC e CASS realizam ato contra o machismo na Universidade


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Nesta sexta-feira (23/09) as mulheres do Centro Acadêmico Amaro Cavalcanti (CAAC) participaram do evento “DEITAÇO: vem me tirar do sofá!”. O evento, organizado pelas mulheres do CA’s de Direito e Serviço Social, tinha como proposta ser um ato de escracho em função da violência sofrida por Bruna Massud, doutoranda em serviço social, e um momento de reflexão e diálogo a respeito da cultura do machismo e de naturalização da violência contra a mulher.

Para quem não ficou sabendo da situação:

Na terça-feira (20/09) mais um caso de violência contra a mulher ocorreu no CCSA. Dessa vez, uma aluna que cursa doutorado em Serviço Social estava sentada no sofá do centro de convivência do NEPSA I, quando um bolsista a abordou agressivamente pedindo para que essa descruzasse as pernas e retirasse seu pé do sofá. A aluna questionou a agressividade do homem. Ele decidiu expulsá-la do local, entretanto ela, questionando a conduta do bolsista, se recusou a sair do local. O bolsista, então, levantou o sofá e jogou a aluna no chão, ameaçando-a. Diante do acontecido, a direção do CCSA resolveu, então, que iria remover o sofá do local. Certamente, uma decisão muito mal pensada, considerando que a causa da agressão ou da violência com a qual o bolsista se dirigiu a menina não foi do sofá ou da existência do sofá naquele local ou da presença da aluna naquele local ou da presença da aluna naquele sofá. A agressão sofrida pela aluna Bruna Massud é resultado de uma cultura machista que naturaliza a opressão e a violência contra mulher.

Diante da agressão sofrida por Bruna, e das tantas outras sofridas por outras mulheres no CCSA e na UFRN, e de suas respostas falhas e ausentes, o ato foi organizado visando um debate sobre a cultura machista e misóginia em que as mulheres estão inseridas; uma demonstração da solidariedade com relação a Bruna e tantas outras mulheres que já passaram e passam diariamente por situações de violência; e a cobrança do CCSA e da Universidade para uma ação efetiva para combater esses casos (e não abafar a situação, arquivar casos e transferir agressores de setor).

Desse ato alguns encaminhamentos foram retirados:

– Participação no Seminário Cotidiano Feminino e seus Enfrentamentos – novo comitê UFRN pela diversidade (01/11);

– Marcar reunião com Arlete (Diretora do CCSA): sexta feira;

– Levantamento de pautas para levar para reunião com Arlete;

– Sistematizar as denúncias de violência sofridas por mulheres (dossiê dos casos, levantar denúncias);

Como principal encaminhamento temos o levantamento dos casos de violência já sofridos no CCSA e na Universidade como um todo. Para tanto, pedimos que vocês, mulheres que já sofreram algum tipo de violência dentro desses ambientes, denunciem no email da Ouvidora do CAAC (gerida apenas por mulheres). Todos esses casos serão reunidos e levados para reunião com a Diretora do CCSA, Prof. Arlete, para que assim possamos pensar medidas para evitar esses casos e combater a cultura machista dentro do nosso campus.

No mais, vemos como necessário dizer que a existência desses casos não se dá em função de qualquer ação ou fala de qualquer mulher e assim não podem ser justificados. A agressão que a Bruna sofreu não pode ser jamais justificada por qualquer coisa que ela tenha feito ou dito. A culpa da agressão que ela sofreu é unicamente do homem que a cometeu. É resultado de uma cultura machista, misógina, opressora. Uma cultura que subjuga e violenta mulheres diariamente. E não será questionando ou deslegitimando o depoimento dessa mulher que resolveremos a situação. Não será colocando a culpa em objetos, como sofás, e retirando-os do ambiente da agressão que resolveremos a situação. Não será abafando e arquivando a situação que resolveremos o problema. O problema precisa ser encarado de frente e na raiz: machismo. E, por isso, dizemos: nenhuma mulher se calará diante do silenciamento de vítimas de agressão misóginas. Nenhuma mulher se calará diante de injustiças contra mulher.

E a gestão [R]existir não deixará NUNCA de travar essa luta ao lado dessas mulheres. Não permitirá NUNCA que machistas passem ilesos por essas situações.

Até que o Machismo cesse, Nós não cessaremos!

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