OAB, TCU e CNBB são contra alteração da Lei da Ficha Limpa


CCJ realizou audiência pública para discutir projeto que modifica a Lei da Ficha Limpa.

Entidades ouvidas nesta terça-feira (29), em audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ), manifestaram-se contra o Projeto de Lei Complementar 14/11, que altera a Lei da Ficha Limpa.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) criticaram a proposta, que torna inelegíveis os candidatos que tiveram as contas rejeitadas somente se houver sentença definitiva da Justiça.

Atualmente, a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar 135/10) não exige a manifestação da Justiça para que o político se torne inelegível por oito anos. Basta que as contas sejam rejeitadas pelo Tribunal de Contas da União por “irregularidade insanável” caracterizada como ato de improbidade administrativa.

Para o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Benjamin Zymler, o projeto retira a eficácia da regra atual. “Condicionar essa decisão a uma ratificação judicial é simplesmente fazer com que se espere anos e anos a fio até o trânsito em julgado ou até que um colegiado aprecie essa questão”, disse Zymler.

Benjamin Zymler: projeto retira eficácia da regra atual.

O presidente da AMB, Nelson Calandra, destacou que o Judiciário pode sempre ser acionado caso o candidato com as contas rejeitadas se sinta prejudicado. “Nós concedemos uma liminar e mantemos a possibilidade de a pessoa seguir sendo candidato porque se percebe, muitas vezes, que o embate é pura e simplesmente político.”

Para o representante da OAB na audiência, Pedro Henrique Braga, o PLP 14/11 é um “retrocesso” e fere a separação dos Poderes. “Uma decisão do Legislativo não precisa de confirmação do Judiciário, que só deve agir se provocado”, afirmou.

O representante do Movimento contra a Corrupção Eleitoral (MCCE) Júlio de Oliveira e o procurador da Republica José Gomes também afirmaram que são contra o projeto.

Relator é favorável
O relator da proposta, deputado Ronaldo Fonseca (PR-DF), disse que não está convencido de que a medida vai contra a Lei da Ficha Limpa. “A única diferença do projeto para a Lei da Ficha Limpa é que ele torna obrigatória a análise pelo Poder Judiciário”, declarou.

Fonseca apresentou parecer que recomenda a aprovação do projeto pela CCJ. “Eu jamais cometeria a loucura de ir contra a Lei da Ficha Limpa. Se ficar convencido de que isso pode ocorrer, mudo meu parecer.”

Para o autor do projeto, deputado Silvio Costa (PTB-PE), a Lei da Ficha Limpa é inconstitucional porque fere o princípio da presunção da inocência, até que o processo seja julgado definitivamente pela Justiça. Apesar de o Supremo Tribunal Federal (STF) já ter julgado a questão, Costa lembra que a decisão não foi unânime e que cinco dos nove ministros da Corte foram contrários à aplicação da lei.

Costa respondeu às afirmações do advogado Marcelo Lavanére, que representou a CNBB na audiência, quando este afirmou que o projeto “vai na contramão da decência”.

Demanda popular
O deputado Efraim Filho (DEM-PB), que sugeriu a audiência na CCJ, afirmou que o PLP 14/11 diminui o poder fiscalizador dos tribunais de contas. Ele lembrou, ainda, que a Lei da Ficha se originou de uma demanda popular. “Temos que estar abertos a essa demanda social. Havia um desencontro entre representantes e representados. Muito mais do que por seu mérito, a Lei da Ficha Limpa deve ser reconhecida por incentivar a participação social”, destacou.

O presidente da CCJ, deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), considerou o debate importante. Ele afirmou que há vários casos já identificados de pressão política e que a prática da Lei da Ficha Limpa deve ser aperfeiçoada. “Não podemos fazer um debate maniqueísta, onde há contrários e favoráveis à Lei da Ficha Limpa. Precisamos garantir o seu cumprimento”, afirmou.

Íntegra da proposta:

Fonte Agência Câmara de Notícias

OAB incluirá Filosofia do Direito no primeiro Exame de Ordem de 2013


Brasília – A diretoria do Conselho Federal da Ordem dos Advogados acolheu hoje (28) proposição apresentada pela Coordenação do Exame de Ordem Unificado no sentido de reincluir ao conteúdo de disciplinas cobrado na primeira fase (prova objetiva) do exame questões relativas à Filosofia do Direito. A proposta foi decidida em reunião realizada na sede da OAB e implicará na inclusão, a partir do primeiro exame de 2013, de duas questões sobre os ramos de Ética e Hermenêutica da Filosofia do Direito, conteúdos da Filosofia do Direito e que dizem respeito diretamente à formação e exercício profissional do advogado.

A sugestão para que o Exame da OAB passe a aplicar questões sobre Filosofia do Direito foi feita por diversos coordenadores de cursos de Direito de várias localidades do país e debatida na última semana durante o Colégio de Presidentes das Comissões do Exame de Ordem pela Comissão constituída especialmente pela Diretoria da entidade, “para implementar as disciplinas do eixo fundamental do Exame de Ordem”.

O principal argumento em favor da implantação da Filosofia do Direito no conteúdo programático do Exame é o de que o mundo atual exige cada vez mais a formação de um advogado que não seja mero repetidor de leis e normas; e sim um profissional capaz de interpretar as normas – caso de que cuida a Hermenêutica – e que possua conduta reta e adequada – o que é tratado pela Ética.

Participaram da reunião de hoje todos os diretores do Conselho Federal da OAB, sob a condução do presidente nacional da entidade, Ophir Cavalcante. O conteúdo do programa que passará a ser exigido será divulgado posteriormente.

Fonte OAB

Mesa redonda: Megaeventos e violação dos direitos humanos, dia 30 de maio


O Programa Lições de Cidadania convida todos e todas para participar da Mesa Redonda “MEGAEVENTOS E VIOLAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS: A COPA 2014 E A NECESSÁRIA LEGALIDADE DOS EVENTOS ESPORTIVOS”.

O evento será realizado no dia 30 de maio, às 20h15min, na sala C2 do setor I da UFRN, e contará com a presença dos debatedores:

Marcos Dionísio Medeiros Caldas (Representante do Comitê Popular da Copa, IPEJUC e do Conselho Estadual de Direitos Humanos)

Lorena Cordeiro de Oliveira (Acadêmica do curso de Direito e membro do Escritório Popular)

Eloisa Varela Cardoso de Arruda (Coordenadora da Associação Popular dos Atingidos pela Copa)

Prof. Rosa Maria Pinheiro (Arquiteta e Urbanista, do Projeto Moradia e Meio Ambiente: Mapeamento, monitoramento e aprendizagem social para a garantia dos Direitos Humanos na Copa 2014 em Natal/ RN)

Natal sediará jogos da Copa do Mundo de 2014. As obras estão atrasadas; os projetos estão sendo realizados sem transparência; sem participação popular; sem estudos necessários, sem cumprimento da legislação; e o que é pior, retirando de suas casas uma grande quantidade de famílias sem a certeza da real necessidade, pois não foram apresentados projetos alternativos obrigatórios. Estão acontecendo graves violações às legislações ambiental e urbanística e diversos direitos constitucionais, como propriedade, moradia, devido processo legal, transparência e participação popular nas decisões públicas.

As benfeitorias que a nossa cidade receberá em razão da Copa do Mundo não podem estar direcionadas somente para a realização dos três jogos do evento. Natal já apresenta uma infraestrutura defasada em relação ao avanço do nosso meio urbano. O trânsito caótico nos horários de pico é prova disso. As obras de mobilidade urbana, saneamento, transporte público e infraestruturas em geral possibilitadas pelos investimentos do Governo Federal e da Caixa devem se preocupar em resolver os problemas de toda a cidade.

Em nome de três jogos da copa do mundo de futebol de 2014 muitos natalenses terão de deixar para trás o lugar onde construíram suas vidas, e pelo desenrolar das ações do poder público podem acabar tendo que assistir a copa na rua! No lugar de onde serão expulsas, serão construídas vias urbanas projetadas às escuras, sobre as quais não se pode garantir o efetivo benefício à cidade.

A intenção é que estejamos preparados não só para receber o público da Copa do Mundo, durante os poucos dias do evento, mas que estejamos preparados para suportar da melhor maneira o desenvolvimento da nossa cidade pelos próximos anos ou décadas e, antes disso, que a cidade tenha capacidade de promover aos seus cidadãos de hoje as melhores condições de vida possível. Afinal, Natal, antes de tudo, deve servir aos natalenses.

Para quem está voltada a copa do mundo de 2014? Para quem deve estar planejada a cidade? Com quem as obras de mobilidade urbana deve se preocupar?

Inscreva-se no 33º ENED


O 33º Encontro Nacional dos estudantes de Direito ocorrerá entre os dias 23 a 30 de julho de 2012 na Universidade Federal da Paraíba. As inscrições estão abertas no site do encontro. Participe!

Tema do 33º ENED
DIREITOS HUMANOS E MODELO DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
Paineis sobre: Direitos humanos e Megaeventos; Matriz Energética e Modelo de Desenvolvimento; Exploração Sexual; Modelo de Desenvolvimento e Educação.

Saiba mais sobre o ENED 2012

UFRN debate ditadura militar no I Festival de Cinema pela Verdade


A Universidade Federal do Rio Grande do Norte, através do Núcleo de Antropologia Visual (NAVIS) recebe, nesta segunda-feira, 28, e terça-feira, 29, no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM), o I Festival de Cinema pela Verdade.

O evento é promovido pelo Instituto Cultura em Movimento (ICEM), em parceria com a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. Além da UFRN, o “Cinema pela Verdade” contempla outras 80 universidades distribuídas por todas as 27 capitais federativas.

O evento é gratuito e visa exibir filmes e realizar debates sobre o período da ditadura civil-militar e suas consequências na história do Brasil, através de eventos e iniciativas como estas que fazem parte do projeto “Marcas da Memória”, iniciativa da Comissão da Anistia.

Podem participar estudantes, pesquisadores, professores e a sociedade em geral. As inscrições podem ser feitas acessando o seguinte link: http://www.sigaa.ufrn.br/sigaa/link/public/extensao/inscricoesOnline. A inscrição dá direito a certificado de participação.

A programação contempla exibição de documentários seguidos de debates sobre o período da ditadura militar e suas consequências para o país. Além dos debates, em cada sessão haverá sorteio do livro “Ditadura Militar no RN”, escrito pelo historiador Luciano Capistrano.

PROGRAMAÇÃO

28 de maio (Segunda-feira)
14h00 – Documentário Cidadão Boilsen (Chaim Litewski, 2009)
Mesa: A Verdade e a Justiça pós-Ditadura Civil Militar

19h00 – Documentário Hercules 56 (Silvio Da-Rin, 2006)
Mesa: Marcas da Repressão e Cidadania no exílio

29 de maio (Terça-feira)
9h00 – Documentário Condor (Roberto Mader, 2007)
Mesa: A anistia política no Rio Grande do Norte

II Encontro de Pesquisa Empírica em Direito


A Rede de Pesquisa Empírica em Direito reitera convite para a submissão de resumos para apresentação de trabalhos no II Encontro de Pesquisa Empírica em Direito e aproveita para prestar alguns esclarecimentos:

Os resumos devem ser enviados os de seus trabalhos até o dia 11/06/2012 para o endereço eletrônico reed.pesquisa@gmail.com a inscrição se realizará posteriormente, por meio do site www.reedpesquisa.org, provavelmente a partir de agosto. O site está em processo de finalização e ainda não pode ser acessado; recomendamos que os resumos tenham até 2 (duas) páginas (cerca de 6500 caracteres, incluindo os espaços), indiquem a pertinência a um dos eixos previstos na Chamada (ver anexo) e o estágio de desenvolvimento da pesquisa (“inicial”, “em andamento” ou “concluída”). Os critérios de seleção encontram-se na Chamada Publica II EPED, anexo; além da vinculação aos eixos, não há restrições aos temas das pesquisas nem ao seu estágio de desenvolvimento; é preciso que trabalhem com dados empíricos com relação direta ou indireta com o fenômeno jurídico; sugere-se que os trabalhos priorizem os aspectos metodológicos da pesquisa, não apenas em seus resultados, e que tentem indicar possíveis pontos de diálogo com a teoria e a dogmática jurídica.

Incentivamos a apresentarem resumos e solicitamos que divulguem amplamente a Chamada.

Dúvidas e esclarecimentos podem ser solicitados pelo endereço eletrônico (reed.pesquisa@gmail.com).

Cordialmente,
Rede de Pesquisa Empírica em Direito

Cerca de 3 mil brasilienses protestam por liberdade feminina na Marcha das Vadias


Brasília – Cerca de 3 mil pessoas compareceram à Marcha das Vadias hoje (26) em Brasília, segundo dados dos organizadores do protesto e da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). A quantidade de manifestantes foi aproximadamente cinco vezes maior do que a da marcha do ano passado. Munidos de buzinas, tambores, cornetas, cartazes e gritos de guerra, os manifestantes tiveram o objetivo de alertar a sociedade para a violência e o abuso sexual contra mulheres.

Na página do protesto no Facebook, principal meio pelo qual a Marcha das Vadias foi organizada, foram enfatizadas questões como a dignidade das mulheres, a divisão de tarefas domésticas, o direito à amamentação em público, a transexualidade e a homossexualidade feminina.

“Essa marcha luta pelo fim da violência física, sexual, psicológica e simbólica contra as mulheres”, disse a antropóloga Júlia Zamboni, 29 anos, que participou da organização da marcha desde a primeira edição, no ano passado.

A vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Érika Kokay (PT-DF), esteve na manifestação e explicou que o principal efeito do protesto é dar visibilidade à questão, que deve ser discutida nas escolas para que não haja “revitimização” – processo em que as mulheres sofrem violência e ainda são culpabilizadas pelo abuso. “Queríamos e queremos direitos iguais. Se ser vadia é ser livre, então somos todas vadias”, afirmou a deputada à Agência Brasil.

De acordo com o advogado João Ribeiro, 55 anos, que participou da marcha, o protesto foi uma forma legítima de combate ao machismo. Segundo ele, protestos como esse são expressões culturais contra valores que são distorcidos pela sociedade.

O grupo iniciou a caminhada próximo à Rodoviária de Brasília, por volta das 14h30. Os participantes ocuparam as plataformas superior e inferior do terminal de ônibus da cidade, seguiram pelo Eixo Monumental até o acesso à W3 Norte, uma das principais vias de acesso ao Plano Piloto, zona central de Brasília. O trânsito foi brevemente prejudicado pela ocupação das ruas ao longo do trajeto.

A Marcha das Vadias ganhou este ano caráter nacional e ocorreu simultaneamente em mais de 20 cidades do Brasil e do mundo, inclusive em Toronto, no Canadá – onde a Slut Walk (Marcha das Vadias, em inglês), teve origem, em protesto à declaração de um policial que afirmou que mulheres que não quisessem ser estupradas deveriam evitar vestir-se como vadias.

Entre as cidades brasileiras com a marcha programa estavam Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Vitória, São Carlos (SP) e Sorocaba (SP).

Fonte Agência Brasil

Apenas uma em cada sete crianças e adolescentes que vivem em abrigos pode ser adotada


Brasília – Em uma ampla sala colorida, cercado por cuidadoras, um grupo de seis bebês, com 6 meses de idade em média, divide o mesmo espaço, brinquedos e histórias de vida. Todos eles vivem em uma instituição de acolhimento enquanto aguardam que a Justiça defina qual o seu destino: voltar para a família biológica ou ser encaminhados para adoção. A realidade das 27 crianças que moram no Lar da Criança Padre Cícero, em Taguatinga, no Distrito Federal (DF), repete-se em outras instituições do país. Enquanto aguardam os trâmites judiciais e as tentativas de reestruturação de suas famílias, vivem em uma situação indefinida, à espera de um lar. Das 39.383 crianças e adolescentes abrigadas atualmente, apenas 5.215 estão habilitadas para adoção. Isso representa menos de 15% do total, ou apenas um em cada sete meninos e meninas nessa situação.

Aprovada em 2009, a Lei Nacional da Adoção regula a situação das crianças que estão em uma das 2.046 instituições de acolhimento do país. A legislação enfatiza que o Estado deve esgotar todas as possibilidades de reintegração com a família natural antes de a criança ser encaminhada para adoção, o que é visto como o último recurso. A busca pelas famílias e as tentativas de reinserir a criança no seu lar de origem podem levar anos. Juízes, diretores de instituições e outros profissionais que trabalham com adoção criticam essa lentidão e avaliam que a criança perde oportunidades de ganhar um novo lar.

“É um engodo achar que a nova lei privilegia a adoção. Em vez disso, ela estabelece que compete ao Estado promover o saneamento das deficiências que possam existir na família original e a ênfase se sobressai na colocação da criança na sua família biológica. Com isso, a lei acaba privilegiando o interesse dos adultos e não o bem-estar da criança”, avalia o supervisor da Seção de Colocação em Família Substituta da 1ª Vara da Infância e da Juventude do DF, Walter Gomes.

Mas as críticas em relação à legislação não são unânimes. O juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça Nicolau Lupianhes Neto avalia que não há equívoco na lei ao insistir na reintegração à família natural. Para ele, a legislação traz muitos avanços e tem ajudado a tornar os processos mais céleres, seguros e transparentes. “Eu penso que deve ser assim [privilegiar a família de origem], porque o primeiro direito que a criança tem é nascer e crescer na sua família natural. Todos nós temos o dever de procurar a todo momento essa permanência na família natural. Somente em último caso, quando não houver mais solução, é que devemos promover a destituição do poder familiar”, defende.

O primeiro passo para que a criança possa ser encaminhada à adoção é a abertura de um processo de destituição do poder familiar, em que os pais poderão perder a guarda do filho. Antes disso, a equipe do abrigo precisa fazer uma busca ativa para incentivar as mães e os pais a visitarem seus filhos, identificar as vulnerabilidades da família e encaminhá-la aos centros de assistência social para tentar reverter as situações de violência ou violação de direitos que retiraram a criança do lar de origem. Relatórios mensais são produzidos e encaminhados às varas da Infância. Se a conclusão for que o ambiente familiar permanece inadequado, a equipe indicará que o menor seja encaminhado para adoção, decisão que caberá finalmente ao juiz.

Walter Gomes critica o que chama de “obsessão” da lei pelos laços sanguíneos. “Essa ênfase acaba demonstrando um certo preconceito que está incrustado na sociedade que é a supervalorização dos laços de sangue. Mas a biologia não gera afeto. A lei acaba traduzindo o preconceito sociocultural que existe em relação à adoção.”

Uma das novidades introduzidas pela lei – e que também contribui para a demora nos processos – é o conceito de família extensa. Na impossibilidade de a criança retornar para os pais, a Justiça deve tentar a reintegração com outros parentes, como avós e tios. Luana* foi encaminhada ao Lar da Criança Padre Cícero quando tinha alguns dias de vida. A menina já completou 6 meses e ainda aguarda a decisão da Justiça, que deverá dar a guarda dela para a avó, que já cuida de três netos. A mãe de Luana, assim como a de vários bebês da instituição, é dependente de crack e não tem condições de criar a filha.

O chefe do Núcleo Especializado da Infância e Juventude da Defensoria Pública de São Paulo, Diego Medeiros, considera que o problema não está na lei, mas na incapacidade do Estado em garantir às famílias em situação de vulnerabilidade as condições necessárias para receber a criança de volta. “Como defensoria, entendemos que ela é muito mais do que a Lei da Adoção, mas o fortalecimento da convivência familiar. O texto reproduz em diversos momentos a intenção do legislador de que a prioridade é a criança estar com a família. Temos que questionar, antes de tudo, quais foram os esforços governamentais destinados a fortalecer os vínculos da criança ou adolescentes com a família”, aponta.

Pedro* chegou com poucos dias de vida ao Lar Padre Cícero. A mãe o entregou para adoção junto com uma carta em que deixava clara a impossibilidade de criar o menino e o desejo de que ele fosse acolhido por uma nova família. Mesmo assim, aos 6 meses de vida, Pedro ainda não está habilitado para adoção. Os diretores do abrigo contam que a mãe já foi convocada para dizer, perante o juiz, que não deseja criar o filho, mas o processo continua em tramitação. Na instituição onde Pedro e Luana moram, há oito crianças cadastradas para adoção. Dessas, apenas duas, com graves problemas de saúde, têm menos de 5 anos de idade.

Enquanto juízes, promotores, defensores e diretores de abrigos se esforçam para cumprir as determinações legais em uma corrida contra o tempo, a fila de famílias interessadas em adotar uma criança cresce: são 28 mil pretendentes cadastrados e apenas 5 mil crianças disponíveis. Para a vice-presidenta do Instituto Brasileiro de Direito da Família, Maria Berenice Dias, os bebês abrigados perdem a primeira infância enquanto a Justiça tenta resolver seus destinos. “Mesmo que eles estejam em instituições onde são super bem cuidados, eles não criam uma identidade de sentir o cheiro, a voz da mãe. Com tantas crianças abrigadas e outras tantas famílias querendo adotar, não se justifica esse descaso. As crianças ficam meses ou anos depositadas em um abrigo tentando construir um vínculo com a família biológica que na verdade nunca existiu”, critica.

*Os nomes foram trocados em respeito ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) // Edição: Juliana Andrade e Lílian Beraldo

Fonte Agência Brasil

Cinema pela Verdade em Natal/RN – Programação


Câmara aprova projeto que permite registro de candidato com contas rejeitadas


A Câmara aprovou nessa terça-feira, 22, o Projeto de Lei 3839/12, que, em linhas gerais, permite o registro de candidaturas de quem teve as contas rejeitadas em campanhas anteriores pela Justiça Eleitoral. O texto vai de encontro à resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornava inelegível o político que não tiver a ‘quitação eleitoral’.

O projeto é de autoria do deputado Roberto Balestra (PP-GO) e altera a Lei Eleitoral (9.504/97). O texto seguirá para trâmite no Senado.

A proposta tem como principal objetivo mudar a interpretação do TSE para a emissão da certidão. Segundo o autor da proposta, a corte tem entendido que a certidão não será emitida para candidato que tiver contas de campanha eleitoral anteriores rejeitadas. Esse documento é um dos exigidos pela legislação para que uma pessoa possa garantir a sua candidatura.

Para Balestra, a jurisprudência foi além do que determina a Lei Eleitoral, que exige, como um dos critérios para a emissão, apenas a apresentação das contas, sem menção à rejeição. O texto aprovado determina que a certidão será entregue ‘ainda que as contas sejam desaprovadas’.

Multa. Segundo o projeto, a decisão que desaprovar as contas sujeitará o candidato unicamente ao pagamento de multa no valor equivalente ao das irregularidades detectadas, acrescida de 10%. Os recursos arrecadados com o pagamento da multa serão destinados ao Fundo Partidário.

O projeto recebeu parecer favorável do relator, deputado Arthur Lira (PP-AL).

Fonte <http://estadao.br.msn.com/ultimas-noticias/c%C3%A2mara-aprova-projeto-que-permite-registro-de-candidato-com-contas-rejeitadas>

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral publicou hoje nota em que repudia o projeto de lei, relacionado acima.

Nota de Repúdio do MCCE sobre o projeto de lei que libera candidaturas de políticos com contas rejeitadas

O Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral – MCCE, rede de organizações sociais responsável pela conquista da Lei da Ficha Limpa, vem a público repudiar veementemente a atitude da Câmara dos Deputados, que sem qualquer debate popular aprovou lei que anistia os políticos que fraudaram suas prestações de contas de campanha.

O Projeto de Lei nº 3839/2012 atenta contra tudo o que deseja a sociedade brasileira, que se encontra mobilizada em favor dos valores da ética e da moral, que devem presidir as declarações do Parlamento.

Esperamos do Senado Federal a rejeição sumária dessa matéria, enquanto convidamos toda a sociedade a se manifestar contra esse ato atentatório à própria imagem do Congresso Nacional.

Brasília, 23 de maio de 2012.

COMITÊ NACIONAL DO MOVIMENTO DE COMBATE À CORRUPÇÃO ELEITORAL
MCCE – 10 ANOS – VOTO NÃO TEM PREÇO, TEM CONSEQUÊNCIAS.

Fonte MCCE


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